terça-feira, 31 de dezembro de 2013 By: Unknown

Histórico da Irrigação no Brasil


   A Irrigação no Brasil foi desenvolvida por meio do uso de diferentes modelos. O envolvimento público na irrigação é relativamente novo, enquanto o investimento privado tem sido tradicionalmente responsável pelo desenvolvimento da irrigação.
A irrigação privada predomina nas regiões povoadas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorre a maior parte do desenvolvimento industrial e agrícola do país. Na região Nordeste, os investimentos feitos pelo setor público buscam estimular o desenvolvimento regional em uma área propensa a secas e com graves problemas sociais. Essas diferentes abordagens têm resultado em consequências diversas. Dos 120 milhões de hectares (ha) potencialmente disponíveis para a agricultura, somente cerca de 3,5 milhões de hectares estão atualmente irrigados, embora as estimativas mostrem que 29 milhões desses hectares sejam adequados para essa prática.


   Embora os métodos de irrigação no Brasil possam ser considerados modernos, comparados aos métodos de outros países na região, a irrigação por gravidade é responsável por 48% do total da área agrícola irrigada (3,5 milhões de hectares), 42% utilizam irrigação por enchentes (arroz) e 6% utilizam irrigação por regos ou outros métodos de gravidade. Dos 52% restantes, cerca de 22% utilizam sistemas móveis de aspersão, 23% utilizam aspersão mecanizada (pivô central), 1% utiliza tubos controlados ou perfurados, e 6% utilizam irrigação localizada, ou seja, sistemas gota a gota e/ou de microaspersão.


   O Brasil nunca foi considerado um país rico em água. Contudo, as regiões hidroclimáticas e os sistemas de irrigação do Brasil variam bastante. Na região Sul, as condições muito frias no inverno têm irrigação limitada, principalmente nas enchentes de verão das planícies alagadiças onde se cultiva o arroz. Na região Sudeste, com condições mais brandas, a irrigação no inverno tem possibilitado uma cultura agrícola dupla. No inverno, os cultivos de trigo, ervilha ou feijão são alternados por meio de rodízio com as culturas de verão, incluindo algodão. A escassez local de água ocorre em algumas pequenas bacias hidrográficas nas regiões Sudeste e Sul onde o desenvolvimento da irrigação e o consumo de água para uso industrial e municipal têm sido relativamente desordenados.2 A grande extensão e o nivelamento das propriedades agrícolas nas vastas áreas de cerrado da região Centro-Oeste são bastante adequados aos sistemas de irrigação por pivô central e autopropulsionados, que se têm expandido rapidamente nos últimos anos.


   Grande parte da terra da região Nordeste é semiárida e tem recursos hídricos bastante limitados, comparados aos de outras regiões. A maioria dos projetos de irrigação depende dos poucos rios perenes como o Rio São Francisco. O abastecimento das águas subterrâneas é limitado e cerca de 95% das terras irrigadas utilizam água de superfície.2 A água do Rio São Francisco, o principal rio da região Nordeste, precisa ser transportada por distâncias consideráveis até chegar à terra irrigável. Grande parte da região tropical úmida do Brasil está na região Norte. As necessidades de irrigação nessa região são pequenas e o desenvolvimento é limitado a pequenas áreas de planícies alagadiças para o cultivo do arroz.