O neem (Azadirachta indica) é conhecido na Ásia devido a várias propriedades biológicas conhecidas desde a antigüidade. Os estudos referentes à ação inseticida dessa planta restringem-se a análise de seus mecanismos de ação sobre insetos e também de seus efeitos sobre trabalhadores rurais que fazem uso de produtos a base de nim; não havendo, na literatura pesquisada, trabalhos relativos aos impactos causados sobre o sistema vegetal.As plantas, assim como outros organismos, possuem a capacidade de se defenderem contra ataque de patógenos. Uma das respostas desencadeadas pelo reconhecimento do patógeno pelas células vegetais é a reação de hipersensibilidade (RH), que envolve a morte imediata das células do sítio primário de infecção, oferecendo resistência ao crescimento do patógeno. A RH é caracterizada pela necrose dos tecidos onde primeiro se manifestou a infecção, e este processo de morte celular programada envolve uma série de sinais que ainda não estão completamente elucidados. Neste trabalho, foram estabelecidas as condições do meio de cultura de células de Rubus fruticosus para os estudos com extrato de sementes de nim, avaliado o efeito elicitor deste sobre a cultura. Foram obtidos extratos hidroalcoólicos E1 e E2 e suas respectivas frações lioflizadas, L1 e L2. Estes extratos apresentaram maior teor de açúcares e lipídeos em sua composição e revelaram potencial antioxidante. Detectou-se a presença de AZA-A em L1 e L2, por meio de CLAE, cujos teores foram de 5,03 e 1,1 mg/mL, respectivamente, com tempo de retenção em torno de 9,5 minutos, confirmado por meio de análises via espectrometria de massas. O extrato L2 foi fracionado nas frações L2 inicial e AZA2. O extrato L2, nas concentrações de 0,1; 0,5; 1 e 5 mg/mL, e destas frações AZA2 e L2 inicial nas proporções do extrato L2 nestas concentrações, elicitaram células de Rubus fruticosus. O extrato L2, nas concentrações de 0,1; 0,5; 1 e 5 mg/mL, e suas frações AZA2 e L2 inicial nas proporções do extrato L2 nestas concentrações, elicitaram células de Rubus fruticosus. As células de Rubus fruticosus (1,8g) foram incubadas em tampão citrato de sódio contendo o extrato L2 e as frações L2 inicial e AZA2, separadamente, até a concentração de 5 mg/mL, por 1h, em temperatura ambiente. Após este período, os compostos fenólicos, proteínas e açúcares redutores foram determinados no meio extracelular e intracelular por métodos colorimétricos. O efeito destas frações e do extrato L2, na produção de EROs em células intactas de Rubus fruticosus, foi analisado usando a sonda diacetato 2,7-diclorofluoresceína (LEE et al., 1999; MURATA et al., 2001). Os resultados obtidos indicam que AZA isolada não teve efeito sobre respostas de defesa. A fração L2 inicial teve aumento de fenólicos intracelulares, de açúcares redutores extracelulares e diminuição de EROs, com o aumento da concentração do elicitor, indicando potencial antioxidante e mecanismo de defesa. O extrato L2 também demonstrou. (Gumiero)
COMO PREPARAR EXTRATO DE NeeM:
a) Folhas e ramos finos verdes picados: 1.250 gramas para 100 litros de água. Deixar repousar a mistura durante 12 horas no mínimo, coar e pulverizar imediatamente.
b) Sementes moídas: 1,5 a 3 Kg para 100 litros de água. Deixar repousar por 12 horas, coar e pulverizar.
c) Óleo das sementes: Utilizar 250 a 500 ml em 100 litros de água e pulverizar.
PARA QUAIS PRAGAS E DOENÇAS OS EXTRATOS DE NEEM SÃO INDICADOS:
Pragas de Cultivos e Criações: Mosca branca, mosca minadora, mosca das frutas, pulgões, Diabrotica speciosa, traça das crucíferas, lagarta do cartucho, brocas do tomateiro, ácaro fitófagos, trips, cochonilhas, bicho mineiro do cafeeiro, bicho minador dos citrus, outros besouros e lagartas, mosca doméstica, barata, pulga, mosquitos, pernilongos, Aedes aegypt, berne, carrapato, mosca dos chifres, piolho e nematóides (aplicar no solo).
Doenças de plantas: Ferrugem do feijoeiro, Rhizoctonia solani, R. oryzae, Sclerotium rolfsii, Fusarium oxysporum, Phytophtora (murchadeira em tomate e batata).
Parasitas internos de animais (vermes): Na época de controle de vermes no gado bovino, pode-se acrescentar torta das sementes de Nim na quantidade de 10% do peso do concentrado fornecido ao gado, ou seja, se o gado recebe 3 Kg de ração dia, misturar 300 gramas de sementes de Nim moída. Em poucos dias o animal expelirá os vermes pelas fezes. Realizar esta operação somente nas épocas em que se faria a vermifugação (+ - de 4 em 4 meses).
UTILIZAÇÃO DE FOLHAS DE NIM PARA CONSERVAÇÃO DE GRÃOS E SEMENTES:
1- Misturar 400 gramas de folhas maduras de Neem em 100 Kg de grãos. Mantém os grãos livres de pragas por 6 meses.
Por fim, é preciso ressaltar que embora não haja período de carência para esses produtos, e os produtos a base do Nim tenham baixa toxidade para mamíferos, foi comprovada a toxidade dos mesmos para os peixes, devendo serem utilizados com bastante cuidado em propriedades que pratiquem a piscicultura. Em outras palavras, nenhum insumo agroecológico por mais inofensivo que seja, deve ser utilizado sem o acompanhamento criterioso de um profissional capacitado.
Referencias bibliográfica:
GUMIERO, Viviane Cristina. Estudo do efeito do extrato de nim (Azadirachta indica) em cultura de células de Rubus fruticosus. 2008. Dissertação (Mestrado em Produtos Naturais e Sintéticos) - Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60138/tde-31072009-172410/>. Acesso em: 2014-05-25.
Escola Familia Agricola Dom Edilberto EFADE IV